sábado, março 27, 2010
Russell vs. cético sobre as condições da implicação
Wittgenstein & Carroll
quarta-feira, março 10, 2010
Cavell sobre o que é a filosofia
terça-feira, março 09, 2010
Beta do resumo para o XIV Encontro da Anpof
Linguagem comum, critérios e ceticismo: notas sobre a filosofia de Stanley Cavell
A presente comunicação pretende investigar as relações entre três aspectos fundamentais da filosofia de Stanley Cavell: o interesse metodológico pela filosofia da linguagem comum representada nos escritos de J. L. Austin e de Ludwig Wittgenstein, a visão projetiva dos critérios linguísticos sistematizada em The Claim of Reason, e a tese da verdade do ceticismo que subjaz a muitos de seus escritos posteriores. O principal foco do interesse em Austin e em Wittgenstein, do modo como Cavell os interpreta, reside em seu reconhecimento de que a linguagem comum é simultaneamente a origem e o caminho para a cura do impulso metafísico—ou de sua contrapartida, o impulso cético—em filosofia. Daí resulta a visão do filósofo da linguagem comum como alguém que deve ser capaz tanto de dar voz às tentações filosóficas que a posse de critérios possibilita quanto de tentar superá-las, através de uma reflexão que visa a recuperar a consciência de certos aspectos de nossas práticas linguísticas que podem ter sido esquecidos, reprimidos ou sublimados como resultado do ato de filosofar. Parte da explicação para essas tentações reside na insatisfação (demasiado humana) com o fato de que nossos critérios não podem garantir (impessoalmente) o acordo, seja entre diferentes usuários da linguagem, seja da relação desta com o mundo. Dado que nossos critérios baseiam-se apenas nos interesses e nas necessidades humanas—as quais, embora fundamentadas em uma “história natural” comum, encontram-se, assim como essa história, em constante mutação—eles devem estar permanentemente abertos a revisão, e, nesse sentido, devem estar sempre sujeitosao tipo de repúdio favorecido pelo cético. Uma consequência dessa concepção dos critérios é a tese de que Wittgenstein jamais teria pretendido negar, por exemplo, a possibilidade de uma “linguagem privada”; em vez disso, seu objetivo teria sido mostrar que a privacidade é umapossibilidade humana permanente—portanto, que a superação da privacidade deve ser sempre uma conquista, algo pelo qual cada um de nós tem de assumir pessoalmente a responsabilidade. Isso implica que, pace grande parte dos wittgensteinianos, descrever e arrolar nossos critérios simplesmente não pode ser uma maneira de refutar o ceticismo; na verdade, o resultado mais provável dessa estratégia seria o reforço da atitude cética, dada a indicação da real fragilidade dos fundamentos do acordo linguístico. Mas isso não implica que o ceticismo deveria ser simplesmente aceito: o cético pode estar certo ao indicar que a existência do “mundo externo” ou de “outras mentes” não pode ser conhecida com inabalável certeza; entretanto, ele erra ao interpretar esse resultado como uma demonstração de que o mundo e as outras pessoas podem não ser reais. O que há de verdadeiro no ceticismo é a atestação de que, para seres finitos como nós, a realidade do mundo e dos demais sujeitos não podem ser funções de nosso conhecimento, mas dependem antes de nossa aceitação e de nossoreconhecimento—portanto, que os reais custos envolvidos no abandono cético do consentimento não são apenas epistêmicos e teóricos, mas sobretudo práticos ou existenciais.
quarta-feira, agosto 20, 2008
Cavell and the acknowledgment of human finitude
[...] what the skeptic understands as a process of disillusionment in the name of knowledge, Cavell interprets as an inability or refusal to acknowledge the fact that human knowledge – the knowledge available to finite creatures, subjective agents in an objective world – is necessarily conditioned. (Ibid, p. 9)
segunda-feira, maio 26, 2008
Wittgenstein and Dostoyevsky on Religious Belief
Religious belief could only be something like a passionate commitment to a system of reference, [...] a way of living [...]
Alyosha was more of a realist than anyone. Oh! no doubt, in the monastery he fully believed in miracles, but, to my thinking, miracles are never a stumbling-block to the realist. It is not miracles that dispose realists to belief. The genuine realist, if he is an unbeliever, will always find strength and ability to disbelieve in the miraculous, and if he is confronted with a miracle as an irrefutable fact he would rather disbelieve his own senses than admit the fact. Even if he admits it, he admits it as a fact of nature till then unrecognised by him. Faith does not, in the realist, spring from the miracle but the miracle from faith. If the realist once believes, then he is bound by his very realism to admit the miraculous also.
segunda-feira, março 17, 2008
Putnam sobre Cavell, Wittgenstein, e a "filosofia da linguagem ordinária"
[...] Stanley Cavell is one of the great minds of our time, but he is not a founder of movements or a coiner of slogans or a trader of "isms" [...] [He is] a writer who always speaks to individuals--and that means, one at a time [...]. To read Cavell as he should be read is to enter into a conversation with him, one in which your entire sensibility and his are involved, and not only your mind and his mind. (p. 119)Essa última passagem é tão espetacular que vale a pena até traduzir um trechinho, para que buscas por "filosofia da linguagem ordinária" e "vomitar" tenham chance de cair aqui :). Segue, então, minha "traducão livre"
Cavell (and Wittgenstein as Cavell reads him) are concerned to make us see something that troubles the skeptic, something that can and should give us a sense of "vertigo" at certain times, without causing us either to become skeptics or to find illusory comfort in over-intellectualized response. (p. 121)
Othello is, in a sense, a genuine skeptic about one other mind--Desdemona's. His problem--and this is the horror of his situation--isn't that he lacks "evidence" of Desdemona's faithfulness. It is that no evidence is good enough. And even to imagine one of the minor ordinary-language philosophers of the 1950s and 1960s saying to Othello "This is what we call conclusive evidence of Desdemona's faithfulness" (or: "This is what we having an unreasonable doubt") makes one want to vomit. That is why The Claim of Reason may be described as a defense of Wittgenstein against "ordinary-language philosophy", not a defense of Wittgenstein as an ordinary-language philosopher. (pp. 126-127)
A simples tentativa de imaginar um filósofo da linguagem ordinária menor dos anos 1950 e 1960 dizendo a Othello "Isso é o que chamamos evidência conclusiva para a fidelidade de Desdemona" [...] já nos faz querer vomitar.
sexta-feira, março 14, 2008
Cavell: "The Wittgensteinian Event"
Wittgenstein's promise of "peace" or "rest" after restlessness is, in his practice, something lost almost as soon as it is found, not a promise that projects a realm of refuge, so his philosophical stance of contradiction and dissatisfaction in effect assumes an independence from whatever world this imperfect one turns out to be. (p. 18)